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23.7.11

Meu Panforte

Foto Augusto Bartolomei - Estudio Bê
Lembranças da infância, quando cercadas de cheiros e sabores, descortinam territórios de afeto. Como cozinheira, me vejo muitas vezes tentando resgatar esses gostos sutis e impalpáveis.   

Descendo de uma família de italianos, na qual as sobremesas eram quase sempre frutas. Cresci comendo pouco açúcar, que se fazia presente em alguns raros doces, marcados em minha memória.

Às vezes, alguém trazia da Itália um panforte, doce toscano da vila de Siena. Era uma celebração! As cozinheiras da família tentavam então reproduzir a receita original do festejado estrangeiro . Sempre me pareceu que o segredo se escondia na mistura de especiarias e frutas, em delicado equilíbrio para alcançar a harmonia. Com o passar do tempo, fui madurando minha própria receita de panforte.

Foto Augusto Bartolomei - Estudio Bê

Trata-se de um doce muito particular, porque não é bolo e muito menos pão. Suas origens são bastante antigas, remontam à Idade Média. O panforte tem uma consistência ao mesmo tempo firme e macia em seu aglomerado de frutas secas, mel e especiarias.

Acho esse doce muito intrigante. Ele tem uma “natureza” viva. A cada pedaço que mastigamos aparece um grupo de sabores, conforme provamos a amálgama da mistura. Sempre há uma surpresa. Talvez por isso o panforte tenha me fisgado desde criança. .

Quando resolvi comercializá-lo, adotei para meu panforte o mesmo nome de meu blog, Delícias & Paisagens . Guiados  pelos sentidos do gosto e do olfato, convido-os a visitarem paisagens distantes, reais ou imaginárias e torço para que nessa “viagem “se reencontrem com suas próprias  doces reminiscências.

Giovanna Garzoni - Limões e abelha (c. 1650)