2.8.16

Visões Corpóreas da Natureza

Vincent van Gogh - Fishing Boats at Sea (1888) Pushkin Museum, Moscow

Vincent van Gogh -Long Grass with Butterflies - 1890 - The National Gallery , London

Vincent Van Gogh - Tree roots - 1890 - Van Gogh Museum, Amsterdam

28.7.16

Afinidades Eletivas III

Henri Matisse - A Dança - 1910 - Museu Hermitage - São Petersburgo 

Pittore di Berlino - Ânfora ática com prova de lançamento de dardo 480 a.C.  - terracota  - Museo Nazionale Etrusco di Villa Giulia, Roma *
Ânfora panatenaica com discóbolo 450 -425 a.C - Museo Archeologico Nazionale di Napoli *
* Obras presentes na exposição :


Os Jogos da Antiguidade | Grécia e Roma 

 Museu Nacional de Belas Artes/Ibram/MinC - RJ 
 de 27 de julho a 02 de outubro de 2016


Realização Base7 Projetos Culturais

21.7.16

Do Amor

Saul Leiter, Red Umbrella

Soneto LXXXVIII


Se amor não é, que é este sentimento? 

Mas, se é amor, por Deus, que coisa é tal? 

Se boa, por que efeito tão fatal?

Se má, por que tão doce o seu tormento?

Se ardo a gosto, por que é que me lamento? 

Se a contragosto, o lamentar que val’?

Ó viva morte, ó deleitoso mal,

Quanto podes sem meu consentimento?

E, se o consinto, à força é que me aturo. 

Contra tão forte vento, em frágil barco,

Me encontro em alto-mar, e o não governo,

Tão pobre de saber, de errar tão fraco, 

Que eu mesmo já não sei o que procuro. 

E tremo no verão e ardo no inverno.


Petrarca



( tradução de Pedro Lyra.

14.6.16

Cinco Anos por Aqui


Pudesse Eu

Pudesse eu não ter laços
nem limites
Ó vida de mil faces
transbordantes
Para poder responder
aos teus convites
Suspensos na surpresa
dos instantes!


Sophia de Mello Breyner Andresen

22.5.16

5.5.16

Afinidades Eletivas

A Maid Asleep - Johannes Vermeer - The Metropolitan Museum of Art -NY

Embroiderers # 3 - Embroidery on inkjet print - Ayoama Satoru 
  Mizuma Art Gallery - Japan






4.5.16

Dedicated to Unknown Embroiderers , Satoru Ayoama

Embroiderers #8 - Embroidery on inkjet print - Ayoama Satoru
  Mizuma Art Gallery - Japan

Embroiderers #7 - Embroidery on inkjet print - Ayoama Satoru 
  Mizuma Art Gallery - Japan

Embroiderers #5 - Embroidery on inkjet print - Ayoama Satoru 
  Mizuma Art Gallery - Japan

Embroiderers #4 - Embroidery on inkjet print - Ayoama Satoru 
  Mizuma Art Gallery - Japan

Embroiderers #1 - Embroidery on inkjet print - Ayoama Satoru 
  Mizuma Art Gallery - Japan
Embroiderers #6 - Embroidery on inkjet print - Ayoama Satoru 
  Mizuma Art Gallery - Japan
Embroiderers #6 - Embroidery on inkjet print - Ayoama Satoru 
  Mizuma Art Gallery - Japan

25.4.16

Sutilezas Abençoadas

Gratitude, 2001  Agnes Martin
Untitled #3, 1974 Agnes Martin   Acrylic, graphite and gesso on canvas
Untitled #10 1975 Agnes Martin 
 Untitled, 1977 Agnes Martin,

"Art is the concrete representation of our most subtle feelings"
Agnes Martin

          

25.3.16

Matthäus-Passion BWV 244 J.S. Bach

                        



Matthäus-Passion BWV 244

J.S. Bach

Conducted by Nikolaus Harnoncourt

Tenor [Evangelist, Arias - Chorus One]: Kurt Equiluz
 Bass [Jesus]: Karl Ridderbusch
 Sopranos [Arias - Chorus One and Chorus Two]
 Two anonymous boy soloists of the Wiener Sängerknaben (Chorus Master: Hans Gillesberger)
Alto [Arias - Chorus One]: Paul Esswood
Alto [Arias - Chorus Two: Nos. 33, 77]: Tom Sutcliffe
 Alto [Arias - Chorus Two]: James Bowman
Tenor [Arias - Chorus Two]: Nigel Rogers
 Bass [Arias - Chorus One]: Max van Egmond
 Bass [Arias - Chorus Two]: Michael Schopper


Boy Soprano Voices of Regensburger Domspatzen (Chorus Master: Christoph Lickleder) & Men's Voices of the King's College Choir Cambridge (Chorus Master: David Willcocks) /Concentus Musicus Wien

17.3.16

O Outro



O Outro


Como decifrar pictogramas de há dez mil anos
se nem sei decifrar
minha escrita interior?

Interrogo signos dúbios
e suas variações calidoscópicas
a cada segundo de observação.

A verdade essencial
é o desconhecido que me habita
e a cada amanhecer me dá um soco.

Por ele sou também observado
com ironia, desprezo, incompreensão.
E assim vivemos, se ao confronto se chama viver,
unidos, impossibilitados de desligamento,
acomodados, adversos,
roídos de infernal curiosidade.



Carlos Drummond de Andrade

23.2.16

Perseguição da Beleza

Simone Martini - Guidoriccio da Fogliano ( Fresco c. 1330) Palazzo Pubblico, Siena

Há quem persiga o poder, o dinheiro, a fama. Eu persigo a beleza. Não é uma escolha. É uma condenação. Sem beleza faleço. É um trabalho difícil, muitas vezes doloroso, cheio de revezes. Já passei dias e dias com as mãos na garganta apavorado que ela não volte a visitar-me. É difícil dizer o que é aquela poderosa presente ausência que nos oprime e agarra. Nunca está onde está, mas sempre um pouco mais longe, noutro sítio. Não são cores, imagens, sons, nem sequer a suave pele de uma mulher que me encantam. É o que está para além disso e que isso chama. A beleza corre o permanente perigo de a qualquer momento se desfazer em nada. É, na verdade, por completo insustentável. Não se pode medir, calcular, torná-la obedientemente exacta. É impossível provar que existe. Daí a urgência, o coração a bater na boca. A perseguição da beleza é uma corrida de obstáculos sem meta de chegada. Basta o som de uma voz para rasgar futuros. Basta uma fotografia de uma mala fechada sobre  uma cama para abrir horizontes. Todos os cuidados são insuficientes. É um trabalho longo preenchido de mistérios. Se se procura controlar, escapa. Se se procura guardar, esvai-se entre os dedos. Tem de ser roubada com toda a rapidez e mantida no movimento que é só dela. Se se tenta parar, fixar, já não vale a pena. O dinheiro tem certamente as suas vantagens. Uma das poucas coisas que serve para várias. E a beleza não serve de nada. Atrapalha. Provoca desastres nas famílias, intoxica-nos até ao desmaio, não poupa nada. Devia ser proibida. É um escândalo no meio do mundo. É a causa do espantoso medo que é perdê-la. Não escolhi ser quem sou, este vício de que sou escravo. O que mais importa ninguém escolhe. Já tentei ser tantos para escapar de mim, para me desviar desta vida que me deram. E depois vem a beleza. Surpreendente ao virar de uma esquina. Um desejo marcado no ponto de encontro do aeroporto onde ficaremos para sempre abraçados. A tomar duche à minha frente. A irromper do nada. A primeira coisa que um qualquer fanatismo sabe que tem a fazer é demolir com a beleza. Com todo o direito, de todas as maneiras. A beleza semeia a desordem nas almas e nos corpos que anima. A beleza alimenta-se de uma liberdade particularmente virulenta. É impertinente. Não conhece regras. Vive da vida e de mais nada.

Pedro Paixão - O mundo é tudo o que acontece

22.1.16

Coração de Cão

Francisco Goya - Perro -  Oil mural on plaster transferred to canvas - c.1819-1823 - Museo del Prado, Madrid

Coração de Cão - Heart of a Dog , é o documentário com roteiro e direção da multiartista de vanguarda Laurie Anderson.

Partindo da dor causada pela doença e morte de sua cadela Lolabelle, ela discorre sobre os mais caros temas da filosofia, da arte, da política, da vida.

Sobre imagens que se sucedem e se dissolvem ,  sempre muito belas, Laurie conta a sua história surpreendendo com a fineza de raciocínio para ligar temas tão diversos e profundos . Uma maravilha !

21.1.16

Lágrimas Negras

                      

Lágrimas Negras
( Miguel Matamoros)

Aunque tu, me has echado en el abandono 
Aunque tú, has muerto mis ilusiones, 
En vez de maldecirte con justo  encono,
En mis sueños te colmo,
en mis sueños te colmo 
de bendiciones. 

Sufro la inmensa pena de tu extravío 
Siento el dolor profundo de tu partida 
Y lloro sin que tú sepas que el llanto mio 
Tiene lagrimas negras
 tiene lagrimas negras
 como mi vida  

Aunque tu, me has echado en el abandono 
Aunque tú, has muerto mis ilusiones, 
En vez de maldecirte con justo  encono,
En mis sueños te colmo,
en mis sueños te colmo 
de bendiciones. 

Sufro la inmensa pena de tu extravío 
Siento el dolor profundo de tu partida 
Y lloro sin que tú sepas que el llanto mio 
Tiene lagrimas negras
 tiene lagrimas negras
 como mi vida  

Viendo el Guadalquivir
Las gitanas lavan
Los niños en la orilla
Viendo los barcos pasar
Agua del limonero
Agua del limonero 
Si te acaricio la cara
Tienes que darme un beso 


En el Guadalquivir
Mi gitana lavaba
Pañuelo de blanco y oro
Que yo te daba, que yo te daba
Agua del limonero
Agua del limonero 
Si te acaricio la cara
Tienes que darme un beso 


Tu me quieres dejar
Yo no quiero sufrir 
Contigo me voy, gitana,  
Aunque me cueste morir 

Dieguito el Cigala voz
Bebo Valdés, piano
Javier Colina, baixo
Paquito D'Rivera, sax alto

23.12.15

Resumo




Como é bom se livrar de verdades absolutas . Não é se esvaziar de certezas, daquelas que nos edificam, nos dão sustentação. Mas sim das que nos afrontam, e aos outros . Aquelas que bradamos movidos pela simples vaidade de parecer querer saber tudo.



Neste ano conheci o Japão. A emoção de ver pela primeira vez Fujisan, que respeitosamente aprendemos , como o Monte Fuji deve ser chamado por todos os japoneses, é indescritível. Ele nos surgiu lentamente, no meio de nuvens, num fim de tarde, depois de havermos procurado-o durante todo o dia. Ele só veio depois de nos acalmarmos internamente, é sério, e acostumarmos o olhar.



Sua imponência e força parece se expandir em ondas . Impressionante como uma imagem tão banalizada pode adquirir tanta consistência, e em uma fração de segundo nos colocar na devida dimensão . A noção de humildade se instala em nós. 



Beleza e harmonia são os meus votos para o novo ano que começa. 


Olhar ingênuo para as pequenas e grandes coisas.



Descobrir novos cantos nos passarinhos.


E nas flores novas.