Quando
nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Adelia Prado
Do livroBagagem. São Paulo: Siciliano, 1993. p. 11)
La représentation du 19 septembre se tiendra en la présence
exceptionnelle de William Kentridge
William Kentridge, accompagné du compositeur Philip Miller,
propose une combinaison de nombreuses formes artistiques. Paper Music est un petit univers sensoriel, mélancolique et
visionnaire.
Music, c’est une pièce pour piano et deux voix de Philip Miller.
Parfois, le piano est seul, et dans sa rêverie mélancolique, il nous rappelle
Ravel et Glass ; parfois, il est accompagné, et le trio nous engloutit par son
énergie, sa maîtrise et son humour. Paper, c’est une
déambulation de Kentridge, chez lui, dans son atelier ; à travers son regard,
on découvre les vicissitudes des mots, on joue avec les matériaux, on voit
apparaître de l’encre de Chine et des traces de café et, grâce à elles, on
accède à une contemplation nouvelle du monde et du quotidien. Paper Music est un ciné-concert de magie sombre, faisant suite à
deux collaborations des artistes sud-africains, The Refusal of Timeet Refuse the Hour. Cette œuvre est
pour eux une manière d’explorer des thématiques nouvelles comme de rendre
hommage aux inventeurs et bidouilleurs du cinéma, dont Georges Méliès fait
évidemment partie.
A URAL OWL SPREADS ITS WINGS, 1988 Manabu
Miyazaki
DEATH
(A SIKA DEER THAT DIED QUIETLY IN THE SNOW), 1994 Manabu Miyazaki
JAPANESE MARTEN, 1977 Manabu Miyazaki
Animal Trail, Nagano, Manabu Miyazaki
Animal Trail, Nagano, Manabu Miyazaki
Animal Trail, Nagano, Manabu Miyazaki
A PERSIMMON TREE, 1991 Manabu Miyazaki
LE GRAND ORCHESTRE
DES ANIMAUX / THE GREAT ANIMAL ORCHESTRA
Até 8 de
Janeiro de 2017 a Fondation Cartier pour l’art contemporain
, apresenta a exposição Le Grand Orchestre des Animaux, inspirada
na obra de Bernie Krause, músico e bioacústico americano.
A exposição
que reúne artistas do mundo todo, convida o público a mergulhar em uma
experiência estética , sonora e visual, em torno do mundo animal cada
vez mais ameaçado.
Entre os
artistas expostosestá o fotógrafo japonês Manabu Miyazaki, com suas fotografias quase
vivas. É a primeira vez que ele é exposto fora do Japão. Suas fotos nos dão
conta, que homens e animais tem mais pontos em comum do que imaginamos, e evidenciam
o caminho usado, tanto por uns, como pelos outros.
As fotos são feitas com equipamentos sofisticadíssimos desenvolvidos
pelo fotógrafo, para que praticamente se
"fundam" com a natureza e não interfiram com o objeto a ser captado .
Ele é um dos maiores fotógrafos da vida
animal da atualidade, trabalhando há mais de 50 anos. Manabu Miyazaki se
quer "invisível" , e nomeia suas câmeras, com muita propriedade, como o "olho da árvore".