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25.6.14
12.2.12
Mais Bistrots
Atendendo a pedidos coloco aqui os endereços citados no livro -
Bistrot - Autour et avec les recettes de Paul Bert - de Bertrand Auboyneau e François Simon - Ed Flammarion
Com o tempo vou falar dos que já conheço enquanto corro atrás de
experimentar os outros, e verificar se são mesmo imbatíveis na sua relação
qualidade/preço/prazer. Conto tudo depois.
L’Abordage
2, place Henri-Bergson 8eme
Tel 01 45 22 15 49
L'Ami Jean
27,
rue Malar 7 eme.
Tel
01 47 05 86 89.
Le Baratin
3,
rue Jouye-Rouve 20 eme
Tel 01 43 49 39 70.
Le Comptoir du Relais
9, carrefour de l'Odéon 6 eme.
Tel 01 44 27 07 97
![]() |
| Reprodução de foto do livro |
L'Ecailler du Bistrot
22, rue Paul Bert 11eme
Tel 01 43 72 76 77
22, rue Paul Bert 11eme
Tel 01 43 72 76 77
Le Grand Pan
20,rue Rosenwald 15 eme
Tel 01 42 50 02 50
Le Marsangy
73, av Parmentier 11 eme
Tel 01 47 00 94 25
Quedubon
22, rue Du
Plateau 19 eme
Tel 01 42 38 18
65
Le Repaire de Cartouche
8,boulevard des Filles-du-Calvaire 11 eme
Tel 01 47 00 25 86.
Le Verre Volé
67, rue de Lancry 10 eme
Tel 01 48 03 17
34
Le Gourgeon
42,avenue
Victor-Hugo 92100 Boulogne
Tel 01 46 05 11
27
E , novamente :
Philou
2, av
Richerand 10 eme
Tel 01 45 48 86
58
Le Villaret
13,
rue Ternaux 11 eme
Tel 01 43 57 89 76.
Bistrot Paul-Bert.
18, rue Paul-Bert 11eme
Tel 01 43 72 24 01.
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| Reprodução de página do livro |
2.2.12
Parênteses de Paris
Há muito tempo que entrar em qualquer lugar em Paris para comer
não significa necessariamente comer beeeeem. Muitas vezes só o enlevo de estar
por lá, e o charme completado pelas
nossas próprias fantasias, dão conta de suprir a “palidez” da comida .
Nas últimas crônicas
escritas por Danuza Leão na Folha de SP ela se refere a recentes experiências
ruins comendo em Paris. E parece que de repente a história da comida congelada
nos restaurantes franceses tomou conta da mídia. É certo que isso vem acontecendo,
tanto que há um projeto de lei
transitando no Senado francês, já foi votado na Assembléia, exigindo que os
restaurantes sejam obrigados a mencionar no menu, “produtos frescos”,
“congelados” ou “feitos na casa” para distinguir o joio do trigo. A briga promete
ser feia até que a proposta entre em vigor !
Mas os bons bistrots ainda existem!!! Basta
saber onde procurá-los.
Para conhecê-los é de grande ajuda um livro que saiu no ano
passado - Bistrot - Autour et avec les recettes de Paul Bert - de Bertrand
Auboyneau ( “patron” desse bistrot , que leva o mesmo nome da rua onde se
encontra) e François Simon o mega critico
gastronômico francês.
De aperitivo uma fala de
Simon: bistrot é “um tipo de parênteses” na nossa vida racional, cotidiana.
Bien sûr !
O livro começa reverenciando Michel
Picquart, considerado o “pai” dos
bistrots parisienses.
Certo dia na década de 80, Picquart decidiu que não gostava do seu
trabalho e resolveu mudar de área. Comprou um velho restaurante do bairro o
Astier, onde começou a aprender o métier e tomou gosto. Anos depois, em 1995 , humanista
convicto, vendeu aos empregados e partiu
para um segundo , o Le Villaret, onde reinou como um ícone indefectível da alma
bistrotière. A casa durante anos nem precisava
exibir o nome na porta. Fazia parte da vida dos freqüentadores do bairro e
clientes. Sob o seu olhar e gestão esses dois lugares se tornaram referência
absoluta na bistrologia parisiense. Picquart é o responsável pelo primeiro menu-carte de
Paris pois sempre defendeu ” comer bem a preço justo” , acompanhado de vinhos bons e acessíveis . Foi
o “professor” para vários chefs atuantes
nessa área, e sem ele não haveria Bistronomie
atesta Yves Camdeborde responsável pela entrada dos bistrots na moda ,com a
abertura do seu Régalade em 1992.
Picquart morreu em 2006.
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| L'Ecailler du Bistrot - foto do livro |
No livro François Simon enuncia as características e competências
essenciais que norteiam um bom bistrot, as 10 “regras de ouro”, com clareza e
bom humor. O “patron”, é quem dá
personalidade ao lugar, e deve receber a todos com um sorriso caloroso, o chef que
é quem executa com maestria os desejos do “patron”,
a comida que muda ao sabor das compras do dia e das estações e por isso vem
enunciada na lousa , o vinho que tem que ser bom e acessível. Segue falando das
pessoas que servem sem as quais o bistrot não ”viveria”, são elas que fazem a
ligação essencial com os clientes . Muito do astral dessas pessoas, sua
alegria, eficiência e o orgulho com que
exercem o seu trabalho influem na qualidade do lugar. A mesa, a decoração e a atmosfera, os
clientes que se confraternizam num bem-estar comum e os aromas reconfortantes que
passam pelo salão completam a lista.
O livro traz receitas clássicas servidas no Paul Bert, e também
agrupa por critérios afetivos uma lista de
casas . Amizade, generosidade e cumplicidade são o denominador
comum desses lugares que Bertrand Auboyneau e François Simon amam
acima de tudo.
Apontam-nos aí um bom caminho para pesquisas gourmandes. Estão lá o Baratin, o L’Ami
Jean, o Le Verre Volé, claro o Villaret, o midiático Comptoir, mais uma meia
dúzia de outros. E o mais novo do grupo, o Phillou, que conheci na minha última
viagem.
Phillipe Damas , ex dono do Square Trousseau, montou essa nova
casa num quartier agradável, ao lado do canal de St Martin, região que vem
sendo ocupada por lojas bacanas e gente animada. Recolocando o novo negócio
numa dimensão mais afetiva, escolheu Philou, seu apelido, para dar nome a casa.
O espaço fica entre o clássico e o moderno, com banquetas
vermelhas e paredes de quadro negro onde
o menu está escrito. Tem um pequeno bar redondo no centro da sala e uma
luminária de Ingo Maurer , aquela que prende um monte de papéis, estes aqui cheios
de mensagens afetuosas dos amigos. Do lado de fora um bom terraço, à sombra de
um toldo vermelho é daqueles lugares deliciosos , disputado pelos clientes .
No dia em que fomos, Phillipe estava lá para nos receber e
acomodar na mesa . Antes de qualquer coisa já nos propõe um verre de vinho , recém descoberto, para “matar a sede”, que com certeza não vai pesar no nosso bolso.
No menu pratos deliciosos feitos com ingredientes do dia como o
tartare de vieiras e ostras com maçã verde, que não resisti e pedi nas duas
vezes que visitei o restaurante de tão refrescante e gostoso que estava. Era outono,
onde a caça é habitual por isso o faisão rôti
com endívias caramelizadas foi a pedida mais certeira. Outra maravilha ! Também
o Joue de boeuf com blettes fondants, bochecha , uma carne
que foi “redescoberta” , montada num prato simples mas perfeito. De sobremesa o
Montblanc, creme de castanhas com sorvete e outra, marmelos servidos com
sorvete de chá verde estavam fantásticos.
Philou é desses lugares que ainda temos a sorte de encontrar.
Phillipe, conforme a noite foi correndo, mais relaxado, teve tempo
de beber um copo conosco na mesa, partilhando histórias e afetos.
Esse grupo de ótimos endereços, onde se come bem, e faz com que saiamos reconfortados e felizes, nos assegura , ainda bem, que “vai sempre existir Paris para nós” * !
Philou
12, av. Richerand
10eme
Tel 01 42 38 00 13
Menus: 25€ (almoço), 30€ (jantar)
Tel 01 42 38 00 13
Menus: 25€ (almoço), 30€ (jantar)
Metro : Jacques Bonsergent
Bistrot Paul Bert
18, rue Paul Bert,11 eme.
01 43 72 24 01
18, rue Paul Bert,11 eme.
01 43 72 24 01
Metro : Faidherbe Chaligny
Bistrot. Autour et avec les recettes du
Paul Bert
Bertrand Auboyneau et François Simon
Ed Flammarion, 30 €.
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