23.12.15

Resumo




Como é bom se livrar de verdades absolutas . Não é se esvaziar de certezas, daquelas que nos edificam, nos dão sustentação. Mas sim das que nos afrontam, e aos outros . Aquelas que bradamos movidos pela simples vaidade de parecer querer saber tudo.



Neste ano conheci o Japão. A emoção de ver pela primeira vez Fujisan, que respeitosamente aprendemos , como o Monte Fuji deve ser chamado por todos os japoneses, é indescritível. Ele nos surgiu lentamente, no meio de nuvens, num fim de tarde, depois de havermos procurado-o durante todo o dia. Ele só veio depois de nos acalmarmos internamente, é sério, e acostumarmos o olhar.



Sua imponência e força parece se expandir em ondas . Impressionante como uma imagem tão banalizada pode adquirir tanta consistência, e em uma fração de segundo nos colocar na devida dimensão . A noção de humildade se instala em nós. 



Beleza e harmonia são os meus votos para o novo ano que começa. 


Olhar ingênuo para as pequenas e grandes coisas.



Descobrir novos cantos nos passarinhos.


E nas flores novas.






21.11.15

10.10.15

Fevereiro

                       


                                                 Fevereiro - Matilde Campilho

            " Escute só, isto é muito sério.  
Anda, escuta que isto é sério. O mundo está tremendamente esquisito..."
 

30.8.15

Não Tenho Medo da Morte

                       


Não tenho medo da morte

não tenho medo da morte
mas sim medo de morrer
qual seria a diferença
você há de perguntar
é que a morte já é depois
que eu deixar de respirar
morrer ainda é aqui
na vida, no sol, no ar
ainda pode haver dor , hein ?
ou vontade de mijar

a morte já é depois
já não haverá ninguém
como eu aqui agora
pensando sobre o além
já não haverá o além
o além já será então
não terei pé nem cabeça
nem fígado, nem pulmão
como poderei ter medo, hein ?
se não terei coração?

não tenho medo da morte
mas medo de morrer, sim
a morte é depois de mim
mas quem vai morrer sou eu
derradeiro ato meu
e eu terei de estar presente
assim como um presidente
dando posse ao sucessor
terei que morrer vivendo, hein ?
sabendo que já me vou

ai nesse instante então
sentirei quem sabe um choque
um piripaque, ou um baque
um calafrio ou um toque
coisas naturais da vida
como comer, caminhar
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
quem sabe eu sinta saudade, hein ?
como em qualquer despedida.

Gilberto Gil

29.8.15

O Beijo



O beijo

Ao me beijar
esqueceu uma palavra em minha boca

Devo guardá-la
embaixo da língua ?
engoli-la como um comprimido
a seco ?
mordê-la até sentir
seu gosto de fruta
estrangeira, especiaria, álcool
duvidoso?
devolvê-la
num beijo
a ele ?
a outro ?

É pequena e dura
mais salgada que doce
e amarga um pouco
no fim

Ana Martins Marques

O Livro das Semelhanças - Cia das Letras

12.7.15

Almoço com Mari Hirata pós Tsukiji









Sea of Buddhas, Templo Sanjusangen-dô

Sea of Buddhas, 1995 - Hiroshi Sugimoto
O Templo Sanjusangen-dô em Kyoto, está em um grande edifício de uma só peça dividida em 33 compartimentos ( sanjusan significa 33). Este número corresponde as 33 encarnações sucessivas de Kannon, deusa da misericórdia a quem o templo é dedicado. Data de 1164 e foi reconstruído em 1266 após um incêndio. Traz 1001 estátuas em cipreste japonês laqueadas de dourado representando a deusa. Uma grande imagem de 3,4 m, no centro é volteada por 500 menores formando um conjunto emocionante.


Depois de anos de burocracia, Hiroshi Sugimoto conseguiu em 1995, autorização para fotografar no local. Na preparação para o registro , ele retirou todos os enfeites colocados ali posteriores a sua construção e desligou a iluminação fluorescente no interior do templo. Como ele diz " recriando o esplendor dos mil bodhisattvas brilhando à luz do sol da manhã , nascendo nas colinas Higashiyama . Como a aristocracia de Kyoto pode ter visto no Período Heian (794-1185) ". No entanto, como ele também aponta, a cena poderia muito bem ser o tema de uma instalação de arte conceitual atual.