23.11.14
9.11.14
Sobre a Amizade
Este semestre pensamos muito nos amigos.
Nos
próximos, nos que se tornaram mais distantes, nos que abandonamos pelo caminho,
nos que a vida pulsando discreta nos trouxe de volta.
É sobre
isso que quero falar.
Das
delicadezas que uma amizade requer.
Amigos
verdadeiros são uns dos nossos bens mais preciosos .
Pensando
em como mimá-los nasceu essa edição do meu Panforte para o Natal 2014.
Uma
caixinha simples*, como pedem nossos tempos, e simultaneamente preciosa.
Um
pequeno carinho para presentear aqueles que nos tocam diretamente no coração.
Na
tampa uma rosa dourada . Que ela sirva para iluminar nossos desejos, e o caminho
no novo ano que vem por aí.
Aguardo
suas encomendas e agradeço por todos esses anos em que estamos juntos.
![]() |
| Fotos Augusto Bartolomei - Estúdio Bê |
* caixa
contendo Panforte de 350g, nos sabores Tradicional ou Figo&Nozes
3.11.14
22.10.14
Nuances
Para o Zé
Adelia Prado
Eu te amo, homem, hoje como
toda vida quis e não sabia,
eu que já amava de extremoso amor
o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos
de bordado, onde tem
o desenho cômico de um peixe — os
lábios carnudos como os de uma negra.
Divago, quando o que quero é só dizer
te amo. Teço as curvas, as mistas
e as quebradas, industriosa como abelha,
alegrinha como florinha amarela, desejando
as finuras, violoncelo, violino, menestrel
e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito
pra escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo
o teu coração, o que é, a carne de que é feito,
amo sua matéria, fauna e flora,
seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas
perdidas nas casas que habitamos, os fios
de tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo
pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto:
“Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas
o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não
ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.
Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama
fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.
Te alinho junto das coisas que falam
uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como
o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece,
tira de mim o ar desnudo, me faz bonita
de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,
me dá um filho, comida, enche minhas mãos.
Eu te amo, homem, exatamente como amo o que
acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando
os panos, se alargando aquecido, dando
a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.
Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,
o que não queria dizer amo também, o piolho. Assim,
te amo do modo mais natural, vero-romântico,
homem meu, particular homem universal.
Tudo que não é mulher está em ti, maravilha.
Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,
a luz na cabeceira, o abajur de prata;
como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:
com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,
me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles
eu beijo.
toda vida quis e não sabia,
eu que já amava de extremoso amor
o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos
de bordado, onde tem
o desenho cômico de um peixe — os
lábios carnudos como os de uma negra.
Divago, quando o que quero é só dizer
te amo. Teço as curvas, as mistas
e as quebradas, industriosa como abelha,
alegrinha como florinha amarela, desejando
as finuras, violoncelo, violino, menestrel
e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito
pra escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo
o teu coração, o que é, a carne de que é feito,
amo sua matéria, fauna e flora,
seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas
perdidas nas casas que habitamos, os fios
de tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo
pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto:
“Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas
o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não
ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.
Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama
fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.
Te alinho junto das coisas que falam
uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como
o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece,
tira de mim o ar desnudo, me faz bonita
de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,
me dá um filho, comida, enche minhas mãos.
Eu te amo, homem, exatamente como amo o que
acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando
os panos, se alargando aquecido, dando
a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.
Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,
o que não queria dizer amo também, o piolho. Assim,
te amo do modo mais natural, vero-romântico,
homem meu, particular homem universal.
Tudo que não é mulher está em ti, maravilha.
Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,
a luz na cabeceira, o abajur de prata;
como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:
com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,
me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles
eu beijo.
(Do livro Bagagem. São Paulo: Siciliano, 1993. p. 99)
11.10.14
2.10.14
27.9.14
22.9.14
21.9.14
7.9.14
3.9.14
Instigando o Olhar
![]() |
| Obra de Myriam Mechita
Made
By... Feito por Brasileiros
O
antigo Hospital Matarazzo será o centro de uma invasão criativa que contará com
mais de 100 artistas, entre brasileiros e estrangeiros.
A
exposição, cuja entrada é gratuita, vai ficar aberta de 9 de Setembro a 12 de
Outubro de 2014 de terça a domingo, das 9h às 17h.
Alameda
Rio Claro, 190 - Bela Vista, São Paulo
*Direção Executiva: Base7 Projetos Culturais e
Companhia das Licenças
|
29.8.14
25.8.14
18.8.14
15.8.14
A Paz - Gilberto Gil
A
Paz
A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"
(Gilberto Gil)
11.8.14
3.8.14
O Sussurrar do Invisível , Mira Schendel
![]() |
| Mira Schendel - Ondas Paradas de Probabilidade - 1969 |
Eis que o Senhor passou. E um grande e forte vento que quebrava as
montanhas e rasgava as rochas precedia o Senhor.
Mas o Senhor não estava no vento.
Mas do vento veio um terremoto. Mas o Senhor não estava no terremoto.
E depois do terremoto veio um fogo. Mas o Senhor não estava no fogo.
E depois do fogo veio a voz de um suave sussurrar.
( Esse texto extraído do Livro dos Reis, do Antigo Testamento, descreve o momento em que Deus se revelou ao profeta Elias. Está colocado em uma placa de acrílico ao lado desta obra de Mira Schendel) *
Mira
Schendel
Pinacoteca
do Estado de S. Paulo
24 de
Julho a 18 de Outubro de 2014
IMPERDÍVEL !!!
* Catálogo Mira Schendel do Museu de Arte
Contemporânea de Seralves , Porto, Portugal
* Catálogo Mira Schendel do Museu de Arte
Contemporânea de Seralves , Porto, Portugal
15.7.14
4.7.14
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