26.1.13

Vamos para Paris ?



Descobrindo preciosidades escondidas em Paris

Depois de visitas repetidas a Paris , fui colecionando "tesouros" que, de tão maravilhosos, ficaram muito grandes para serem guardados . Por isso estou aqui para dividí-los com vocês.




Se você já foi algumas vezes a Paris e quer descobrir coisas especiais que só parisienses conhecem, ou se está indo pela primeira vez e gostaria de já se sentir habituée, ou ainda, se você tem um querer específico que gostaria de ver esmiuçado, minhas viagens são para você.




Elaboro roteiros parisienses personalizados para pequenos grupos , onde a partir de interesses individuais monto percursos inusitados para você desfrutar em profundidade os prazeres da cidade. 


Não sou uma guia de turismo. Os lugares mais óbvios são fáceis de serem encontrados, me preocupo com os detalhes, com as pequenas descobertas preciosas que vão fazer esta sua viagem inesquecível. Sou uma pesquisadora e você, alegremente, vai se tornar também.





Percurso Gourmet: Chocolates, confeitarias, lojas de utensílios de cozinha, queijos, adega de vinhos, mercearias, mercados, feiras de rua, e degustações a combinar. Que tal contratar um tour com Chloe Doutre-Roussel , grande especialista de chocolates , para uma aula seguida de visita guiada pelos  seus chocolatiers  preferidos ? Ou uma degustação de vinhos de uma região específica ? Ou outra de champagnes ? Vamos conhecer os bons bistrots e restaurantes de chefs conceituados ligados a “bistronomie”, onde a experiência gastronômica é fantástica por valores em torno de 60/70 euros por pessoa. Claro que passaremos por crepes, falafels, croques, croissants, millefeuilles...






Percurso Descobertas : Lugares charmosos, cheios de historias e tradições, que podem ir de uma loja de linhas, botões e rendas, a outra de pincéis e tintas. Ateliers de restauro de bonecas, instrumentos musicais ou uma papelaria de produtos artesanais maravilhosos. Manufatura de sapatos, ou "jóias" especiais feitas a partir da seda. Pequenos locais que contam a história da cidade , galerias, passagens cobertas, tudo isso segundo os interesses manifestados pelos participantes do grupo.Curiosidades de vários gêneros , descobertas incríveis, que venho colecionando há anos.




Percurso Artes : Vamos visitar desde museus menos conhecidos como, por exemplo,  Nissin de Camondo e Jacquemart-Andre que, instalados em “tels particuliers,mantêm  intacta a art de vivre parissienne do século XVIII e  XIX ou escolher alas  específicas dos mais conhecidos como o Louvre ou o D'Orsay. As exposições temporárias não serão esquecidas também.
Programações das casas de espetáculo, Salle Pleyel, Théâtre National de Chaillot , Théâtre des Champs Elysées, Opéra National de Paris etc serão consideradas para reserva e compra antecipada de entradas para concertos, ballets, óperas...
Eventualmente um passeio a Giverny - Fondation Claude Monet (aberta de abril a outubro) que fica um pouco distante de Paris com fácil acesso de trem (Gare Saint Lazare) num percurso de 50 minutos. Ou uma corrida a Metz, também com acesso ferroviário (1h15) para visitarmos o novo Centre Pompidou-Metz  com projeto muito interessante do arquiteto japonês Shigeru Ban e de Jean de Gastines   inaugurado em 2010. Claro que há sempre a possibilidade de alugarmos um carro com motorista caso o grupo considere essa opção mais fácil e confortável.





Percurso Compras: Elaboro mapas com lojas especiais, nada óbvias, separadas por arrondissement para serem vasculhadas e conhecidas por vocês,  na hora e no tempo que desejarem. Compras são sempre um assunto “particular”, cada um tem o seu “método”, por isso elaboro pequenos guias para percursos de uma tarde por ex. Lembrando sempre que se perder e descobrir coisas novas faz parte dos encantos de Paris.






Passeando : Sugiro o metrô e os ônibus como meios de transporte preferenciais, pois considero esta uma maneira especial de descobrir uma cidade. Mas andar de taxi , que não é muito caro, ou alugar carro com motorista são possibilidades a serem definidas pelos participantes do grupo.




Os grupos devem ter no mínimo 3 pessoas e no máximo 8.



Estou à disposição para conversarmos sobre as possibilidades dos diferentes roteiros. Vamos lá ?



25.12.12

Afortunadas


Universal Archive - William Kentridge - Linoleogravura - 2012


fortune [fCYtyn] n. f.
• XIIe; lat. fortuna « bonne ou mauvaise fortune »
Poder que supõe distribuir felicidade e infelicidade sem regra aparente, ao acaso. Os caprichos da fortuna. Ser favorecido pela fortuna. Eventos acontecidos ao acaso.  (le Petit Robert Dictionnaire)

De Platão na Grécia antiga a Maquiavel no Renascimento,  o sentido de Fortuna foi se alterando através dos tempos ao sabor das filosofias e das religiões.

 Para os antigos, a Fortuna não era uma força maligna inexorável. Ao contrário, sua imagem era a de uma deusa boa, uma aliada potencial, cuja simpatia era importante atrair.

Com o tempo ( e a "ajuda" da filosofia judaico-cristã ) o destino virou uma força da providência divina e o homem sua vítima impotente. A Destino podem  se relacionar outros termos como Sorte, Acaso, Fortuna, Fatum, Fatalidade, Predestinação, Lei Natural, Providência Divina que ganharam diferentes sentidos através da história no pensamento ocidental.

Vou preferir a definição dos antigos e entender a Fortuna como uma senhora esperta, que lida com o acaso,pronta a nos sacudir  para enfrentar os movimentos da vida. Neste ano ela andou me pedindo  muita agilidade de pensamento e de ação.

Escolho o trabalho de 2 fotógrafos que admiro muito para ilustrar meu tema. Candida Höfer  e Robert Polidori . Eles fotografam espaços desprovidos de pessoas , em grandes formatos.  Seus trabalhos portanto são "similares" e totalmente opostos, por isso estão aqui . 



Biblioteca Nazionale Napoli III - Candida Höfer -  2009
Candida Höfer , fotógrafa  alemã escolhe como tema espaços públicos , centros de vida cultural como livrarias, museus, teatros. Cada foto meticulosamente composta é marcada pela riqueza da atividade humana, mas desprovido de sua presença . Olhar suas imagens de alguma maneira nos apazigua , reconforta,  enobrece, assegura a dignidade da raça humana . São fotos silenciosas .


Escola em Chernobyl - Robert Polidori -  2003
Enquanto Robert Polidori , fotógrafo canadense radicado nos Estados Unidos, fotografa destroços resultantes de desastres provocados  pela ação do homem ou da natureza, como o furacão Katrina em New Orleans , o desastre nuclear de Chernobyl ou a guerra civil em Beirute .  A maior parte de suas imagens exibe ambientes vazios, revirados ou parcialmente destruídos, que foram abandonados depois de um choque violento . Suas fotos nos calam. Sugerem  sonhos desfeitos, lembranças do que foi e nunca será novamente. Elas lembram a natureza transitória de todas as coisas.

Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra IV Candida Höfer

'2600 Block of Munster Boulevard, New Orleans, September' Robert Polidori 
O título da exposição do artista sul africano William Kentridge  - Fortuna - , que acontece no Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro (e depois seguirá para Porto Alegre e São Paulo ) também me trouxe o tema para este post de fechamento do ano.


"A noção de “fortuna”, princípio guiador do processo artístico de Kentridge, e presente no título da exposição, traz o sentido de acaso, de destino, de devir. Segundo o próprio artista, “fortuna é um termo geral que utilizo para essa gama de agenciamentos, algo diverso da fria probabilidade estatística, no entanto fora do âmbito do controle racional”. Em outras palavras, é possível entender esse conceito como um acaso direcionado, uma engenharia da sorte, em que pré-determinação coexiste com possibilidade." *

Desenho para Estereoscópio (da serie Desenhos para Projeção) William Kentridge 1999

Conheci o trabalho de William Kentridge na Bienal de Veneza de 1999. Nunca havia ouvido falar dele antes e fui imediatamente capturada . Seu trabalho é intrinsecamente ligado a sua nacionalidade sul africana por isso traz um viés politico, critico, alem de vasculhar as grandezas e pequenezas do humano.

Esta exposição traz uma retrospectiva de seu trabalho mostrando obras recentes, linoleogravuras, esculturas e seus trabalhos mais emblemáticos os "desenhos filmados e filmes desenhados" onde o artista com uma câmera antiga filma as etapas sucessivas de desenhos que faz, geralmente a carvão, e que são progressivamente alterados através de apagamento e substituidos  por novos feitos por cima. O processo do desenho e a noção de tempo são incorporados à obra final ( que nunca se finaliza).
Cambio - William Kentridge -1999

Seus trabalhos para teatro e ópera estão lá também como o projeto para a encenação da ópera " Il ritorno di Ulisse in patria"  de Claudio Monteverdi (1641) (Ulisse : ECHO ) onde Kentridge diz que aceitou trabalhar  por conta do prólogo (acrescentado por Monteverdi e seu libretista Badoaro), " no qual os atributos da Fragilidade Humana, Tempo, Fortuna e Amor disputam o que acontecerá com Ulisses. Foi esse prólogo com seu tema central e imagem do humano como vulnerável, mais que heroico, que me levou a realizar a ópera." *

Não é de se admirar que entre as dezenas de prêmios recebidos pelo artista se encontra o prestigioso  Kyoto Prize em reconhecimento de suas contribuições no campo das artes e da filosofia recebido em 2010. 

Família no Museu - Óleo sobre cartão - Julio Martins da Silva
Julio Martins da Silva com sua pintura delicada foi uma das boas surpresas deste ano. A exposição aconteceu na Galeria Estação em SP (nov/dez 2012 ). A sua idílica visão de mundo onde reina a ordem e a harmonia, me parece um contraponto interessante para o acaso da fortuna. O pintor começou a trabalhar depois de sua aposentadoria por volta dos 80 anos, e o título da exposição (com curadoria de Paulo Pasta ) dizia muito da obra exposta e reforça minha impressão : " Um mundo embrulhado para presente".



William Kentrigde, para cenário - A Flauta Mágica de Mozart


Como infelizmente essa possibilidade não existe, trago este globo desenhado por Kentridge  para o cenário da Flauta Mágica de  Mozart. Esta obra narra através de uma historia de amor, a luta da luz da inteligência contra a obscuridade da ignorância, e é o que devemos buscar sempre para um bom relacionamento  com nossa fortuna.


Palácio da Rainha da Noite - Flauta Mágica- William Kentridge

Determinação e entendimento das possibilidades infinitas e criativas  para reviçar a vida, é o que desejo a todos, e lembrar :

"Ser o que se pode é a felicidade.

...Não adianta sonhar com o que é feito apenas de fantasia e querer aspirar ao impossível. A felicidade é a aceitação do que se é e se pode ser."
(Valter Hugo Mãe - O filho de mil homens - Cosac Naify - 2012)

Sejam muito felizes em 2013 !!!






* Texto retirado de :
William Kentridge - Fortuna
Catálogo da exposição
 Organização Lilian Tone



Candida Höfer (12 fotografias)
Galeria Leme
Avenida Valdemar Ferreira, 130  Butantã  SP
 Tel 11 3814 8184
22/11/2012 a 12/01/2013.

Candida Höfer  Libraries
Introdução Umberto Eco
Thames & Hudson, 2005. Hardcover (1ª edição)
Schirmer/Mosel Verlag Gmbh (Jan 2006)

Exposição Robert Polidori - Fotografia
Fundação Clóvis Salgado
Centro de Arte Contemporânea e Fotografia
Avenida Afonso Pena, 737, Centro BH
Tel 31 3236-7400
21 /11/ 2012 a 6/1/ 2013



Robert Polidori
Zones of Exclusion: Pripyat and Chernobyl (2003)
Steidl & Pace/MacGill
After the Flood (2006)
Rosenheim, J , 2006
London: Steidl


William Kentridge - Fortuna
Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro Out 2012 - Fev 2013
 Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre , Mar - Maio 2013
Pinacoteca do Estado São Paulo, São Paulo, Ago - Nov 2013

Prêmio Kyoto - Inamori Foundation Kyoto

Galeria Estação
Rua Ferreira de Araujo, 625 Pinheiros  SP
Tel 11 3813 253
www.galeriaestacao.com.br
" O que eu estou vendo vocês não podem ver " Filme de Carlos Augusto Calil , 1978 baseado em - Mitopoética de nove artistas brasileiros - Lélia Coelho Frota