
5.1.14
23.12.13
Tempo a Favor
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| Luigi Guirri- Trani - 1982 |
"
Recentemente, ocorreu-me fotografar a casa do pintor Giorgio Morandi, e para
mim foi uma experiência extraordinária.[...] Morandi não usou outra matéria
além daquela da normalidade:voltou continuamente a pintar as mesmas garrafas,
os mesmos copos e os mesmos vasos simples. Procurei aprender a mesma
essencialidade. O tempo é um elemento importante, a repetição também, para a
fotografia. Morandi havia descoberto que as coisas do mesmo modo, têm uma voz
pessoal: é necessário colocar de lado a vontade de transformar, e escutar essa
linguagem silenciosa. ( Luigi Ghirri)*
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| Luigi Ghirri - Atelier Morandi - Grizzana - 1989/1990 |
Desde o
início dos anos 1970, quando começou a fotografar sua região natal Emilia
Romana, norte da Itália , Luigi Ghirri ( 1943- 1992) , um dos mais importantes
fotógrafos italianos, focou seu trabalho em cenas do cotidiano e aparentemente
banais. Pensador, professor e curador, desenvolveu um trabalho fundamentado em
teorias profundamente elaboradas que introduziram a fotografia no debate
contemporâneo dos anos 70 e 80. Suas fotos, de uma simplicidade desconcertante, revelam na
verdade uma tomada de posição muito consciente, um desinteresse pela imagem com
um fim em si mesma. Ele "transforma as coisas mais normais em sensações, e
fazer isso repetidamente, é grande arte" diz o fotógrafo alemão Thomas
Demand sobre o trabalho de Ghirri .
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| Giorgio Morandi - Desenho - 1969 |
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| Luigi Ghirri - Modena - Cemitério , Projeto Aldo Rossi - 1985 |
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| Luigi Guirri -Trento, Castello del Buonconsiglio - 1988 |
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| Giorgio Morandi |
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| Giorgio Morandi - Landscape 1943 |
Talvez seja falar do tempo na maturidade onde as urgências vão se diluindo e simultaneamente se apurando, porque há a certeza que a sua passagem influencia beneficamente todas as coisas.
A complexidade da percepção se dá com o tempo.
Quero mais tempo a favor !
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| Luigi Guirri - Formigine - Ingresso Casa Colonica |
Oração Ao Tempo
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
(...)
Vou te fazer um pedido
(...)
Quanto a cara do meu filho
(...)
Vou te fazer um pedido
(...)
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
(...)
Entro num acordo contigo
(...)
Tambor de todos os ritmos
(...)
Entro num acordo contigo
(...)
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
(...)
És um dos deuses mais lindos
(...)
E pareceres contínuo
(...)
És um dos deuses mais lindos
(...)
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
(...)
Ouve bem o que te digo
(...)...
No som do meu estribilho
(...)
Ouve bem o que te digo
(...)...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
(...)
Quando o tempo for propício
(...)
E o movimento preciso
(...)
Quando o tempo for propício
(...)
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
(...)
E eu espalhe benefícios
(...)
Ganhe um brilho definido
(...)
E eu espalhe benefícios
(...)
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
(...)
Apenas contigo e comigo
(...)
Fica guardado em sigilo
(...)
Apenas contigo e comigo
(...)
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
(...)
Não serei nem terás sido
(...)
Para fora do teu círculo
(...)
Não serei nem terás sido
(...)
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
(...)
Num outro nível de vínculo
(...)
Ser possível reunirmo-nos
(...)
Num outro nível de vínculo
(...)
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
(...)
Nas rimas do meu estilo
(...)***
E te ofereço elogios
(...)
Nas rimas do meu estilo
(...)***
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| Giorgio Morandi - Aquarela - |
*GHIRRI Luigi "Paesaggio e rivelazione,intervista di Carlo Dignola. L'Avvenire, 08.05.1990 citado no catálogo da exposição Pensar por Imagens de Luigi Ghirri no IMS - Instituto Moreira Salles SP 2013
** Lorenzo Mammi em texto no catálogo da exposição Pensar por Imagens de Luigi Ghirri no IMS - Instituto Moreira Salles SP 2013
*** (Tempo tempo tempo tempo )
28.11.13
24.11.13
18.11.13
15.11.13
8.11.13
7.11.13
20.10.13
14.10.13
5.10.13
3.10.13
27.9.13
26.9.13
25.9.13
Citação da citação
(...) advertência de Borges, feita através de Martin Fierro,
onde está escrito
saibam
que esquecer o ruim
também
é ter memória
o que segundo Borges é sinal de esquecimento criativo ou
de memória
criativa .
( O homem que vive - uma jornada sentimental - Teixeira
Coelho)*
Só a memória criativa, faz da vida um romance
cheio de capítulos emocionantes e isentos de dor.
Capitular não entra nesse parâmetro, (se desculpar ,
talvez ... jamais)
agora eu era o herói ...
que buraco fundo é esse ?
* Ed Iluminuras 2010
21.9.13
16.9.13
e.e.cummings
trago o teu
coração comigo (eu o trago em
meu coração) eu
nunca estou sem ele (aonde quer
que eu vá, tu
vais , meu amor; e o quer que seja feito
por mim
sozinho , é por ti feito, minha querida)
eu temo
jamais o destino
(se és meu destino,doçura) eu quero
nenhum outro
mundo (se és bela, meu mundo, minha verdade)
e tu és tudo que uma lua já possa ter
significado
e o que quer
que o sol venha a cantar, pela eternidade
eis aqui o
segredo mais profundo que ninguem conhece
(eis aqui a
raiz da raiz e o botão do botão)
e o céu do
céu de uma árvore chamada vida; que cresce
para além do
que a alma espera ou o a mente não enuncia)
e este é o prodígio que mantém as estrelas
separadas
eu trago o
teu coração (eu o trago em meu coração)
(tradução
Wagner Humberto Durães de Oliveira)
i carry your
heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
e.e.cummings
Complete Poems: 1913-1962
Harcourt Brace Jovanovich, New York, ©
1963.
5.9.13
29.8.13
26.8.13
22.8.13
Por que você partiu ?
Em
busca da resposta a essa pergunta formulada a ele mesmo e, por seu pai de
maneira pungente, Eric Belhassen,
francês residente no Brasil, constrói um
filme encantador.
Formular
a chefs de cozinha franceses que se estabeleceram por aqui a mesma pergunta, ilustra e diversifica a questão.
Emmanuel
Bassoleil , Erick Jacquin , Laurent Suaudeau, Alain Uzan, Frédéric Monnier e Roland
Villard são os chefs entrevistados
Em
busca de respostas o diretor viaja para a França para confrontar em entrevistas
os pais dele, e de todos os outros com os depoimentos dos filhos.
Não sei
quanto tempo ele ficou com seus entrevistados mas o talento do diretor como documentarista
é imenso. Ele consegue retirar emoções as mais recônditas de suas personagens.Os
planos são fechados nas expressões dos rostos, nos olhos que se transformam,
que vão se marejando num processo conduzido com muita delicadeza .
Eric
tem calma e espera que a emoção total se
exprima. Uma montagem eficiente completa o ciclo sem cair no piegas.
Destaco,
entre um dos tantos momentos tocantes do filme, quando a mãe de Laurent
Suaudeau canta, a principio hesitante, e depois com uma voz límpida muito linda, "Manhã de Carnaval" (Luiz Bonfá e Antônio
Maria) na versão
francesa. Encontro simbólico poético das duas pontas , Brasil e França.
Encontro também bem sucedido quando praticado nas cozinhas desses chefs que conseguiram unir o rigor e
técnicas da grande cozinha francesa com os ingredientes brasileiros.
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| Laurent Suaudeau |
As
sinopses sobre o filme realçam bastante essa questão. Mas para mim ele foi lido
mais como essa relação tão difícil que nos une e separa de nossos pais.
Comovente
trabalho sobre o crescimento, a maturidade e a separação.
Fica quase
impossível não entender porque todos eles partiram , porque enfim, partimos
todos nós.
Só que
para aquelas personagens do filme tornarem-se homens, precisaram desses 13000
km de separação.
NOME ORIGINAL: Por Que Você Partiu?
PAÍS DE ORIGEM: Brasil
GÊNERO: Documentário
DURAÇÃO: 94 min
ANO: 2013
DIREÇÃO: Eric Belhassen
ROTEIRO: Eric Belhassen, Marc Belhassen
EDIÇÃO: Eric Belhassen, Nick Story
FOTOGRAFIA: Mauro Martins
MÚSICA: Eric Belhassen
PRODUÇÃO: Eric Belhassen, Marc Belhassen
ESTÚDIO: Boca a Boca Filmes, Teleimages
Marcadores:
Alain Uzan,
Antonio Maria,
Emmanuel Bassoleil,
Eric Belhassen,
Erick Jacquin,
Frédéric Monnier,
Laurent Suaudeau,
Luiz Bonfá,
Manhã de Carnaval,
Marc Belhassen,
Roland Villard
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